Visitei uma feira medieval em Cubelles (Barcelona)

Visitei uma feira medieval em Cubelles (Barcelona)

A Idade Média (V- XV), foi o período mais obscuro da história europeia. Com a caída do Império Romano (que foi genial em muitos aspectos), a Europa entrou num período de decadência, com pouca inovação, quase inexistentes avanços educacionais, médicos, tecnológicos e de todas as ciências, também artísticos, foi um verdadeiro fracasso. Literariamente, foi uma produção pequena, pelo menos o que chegou até nós. Havia quase um total analfabetismo.

Houveram muitas guerras, pragas, falta de higiene, escravidão (escravizavam inimigos e quem não podia pagar dívidas, por exemplo) e a barbárie: execuções, muita violência, as “leis” eram arbitrárias e nunca favoreciam ao povo, e as mulheres, então, eram objetos de escambo e interesses. Segundo os renascentistas que vieram logo depois (XVI), foi “a idade das trevas”, quase mil anos. Nossos ancestrais que conseguiram sobreviver e que nos proporcionaram chegar até aqui, foram sobreviventes, só não sabemos de que índole.

Hoje, a Idade Média é lembrada com uma certa romantização em feiras medievais por toda a Europa, na Espanha há muitas. Hoje começou uma e vai até domingo, numa cidade chamada Cubelles, que pertence à província de Barcelona. Divertida para moradores e turistas. Um incremento de vendas para comerciantes e artesãos da região.

O cheiro de churrasco, os pães sendo assados em fornos à lenha, maçãs-do-amor e algodão- doce feitos na hora, ferreiros, tecelãs, tarólogos, o clima festivo-místico, o som das bandinhas, a dança, num dia perfeito de primavera com sol.

Aglomeração e quase ninguém com máscara. O vírus, que continua presente, parece que foi esquecido pela maioria. Cenas da festa:

O vício digital desde tenra idade. Tanta coisa acontecendo e o bebê no carrinho, chupeta e celular na mão.

A realidade nunca saberemos de verdade, só sabemos o que nos contaram através de crônicas…confiáveis? Parece que as fake news são práticas humanas muito antigas. Só sei que eram pessoas como nós. Deixo um poema (em catalão), do poeta valenciano Pere March (1336-1413):

"No momento do nascimento começa-se a morrer,
e morrendo cresce, e crescendo, morre- se todos os dias (...)"

Al punt que hom naix comença de morir, 
e morint creix, e creixent, mor tot dia, 

que un pauc moment no cessa de far via, 
ne per menjar ne jaser ne dormir, 
tro per edat mor e descreix a massa, 
tant que així vai al terme ordenat, 
ab dol, ab gauig, ab mal, ab sanitat, 
mas pus avant del terme null hom passa.

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