Eu, velha?!

Eu, velha?!

Por Fernanda Carneiro

Voltar à universidade quase cinquentando, foi uma aventura emocionante, desafiadora e intensa. Não irei contar todos os motivos, próprios e alheios, que me fizeram matricular- me na Universidade de Barcelona, mas assim fiz em outubro de 2021. Eu, caloura na graduação de Arqueologia. Consegui acompanhar as aulas em catalão e tirei muito boas notas. E sendo brasileira, desafio duplo. Você gosta de desafios? Eu sim, definitivamente!

Fernanda numa exploração arqueológica (“prospecção”), em “La Blanquera”, na cidade de El Vendrell.

Sobre essa disciplina fantástica, a Arqueologia, irei contar depois, hoje quero falar sobre a “velhice”.

Se a idade te limita, te envergonha, te paralisa, retire todo esse entulho dentro de você. São construções sociais, que atendem a outros interesses, não os nossos, isso é gerontofobia. Pessoas acima de quarenta anos são sistematicamente excluídas dos processos. E eu não irei explicar o óbvio, o absurdo disso. Só para citar algumas “late bloomers” (“flores tardias”), pessoas que fizeram coisas fantásticas depois dos 40 anos, em todas as áreas: Miguel de Cervantes, José Saramago, Alexander Fleming, Jean Jacques Rosseau, Teresa de Calcutá… eu adoro esse livrinho inspirador (em inglês):

As pessoas que rondam os 50 anos, normalmente, já têm filhos criados, mais tempo, mais conhecimento, muita disposição física e bagagem, que só o tempo favorece. Eu, pelo menos, me sinto assim.

Acho excelentes e necessários os movimentos sociais de igualdade de gênero, racial, contra a gordofobia e LGBTQIA, a inclusão de pessoas com problemas físicos e mentais, mas é preciso também, incluir nas pautas a luta contra o preconceito em relação à idade, porque é um prejuízo social excluir pessoas altamente capazes e qualificadas. Pessoas ativas adoecem menos e são mais felizes, outras vantagens para os governos, sobrecarregaria menos os sistemas públicos de saúde, menos gastos, mais produção. Com isto, não quero dizer que sou contra quem deseja se aposentar com 50 anos. Cada um com suas escolhas.

Um bom começo, seria excluir a data de nascimento e foto dos currículos, como já acontece em países do Reino Unido, por exemplo. Seleção de trabalho não é casting de modelos.

O pânico ao envelhecimento é cultural, principalmente no ocidente. Existe uma corrida louca em busca da eterna juventude ao invés de fomentar a beleza de cada fase da vida, que deve ser intensa e prazerosa, não cheia de angústias e medos. Não é feio ter rugas, marcas de expressão, cabelos brancos.

Feio é virar um boneco inflável com química e/ou bisturi, que só denota o desespero para evitar o inevitável. É isso que vejo quando olho uma pessoa cheia de química no rosto. Mas, claro: a liberdade de escolha em primeiro lugar. Cada um sabe o que faz da própria vida, saúde e dinheiro. Só é a minha opinião sobre a estética de 2022, o gosto pelo esdrúxulo. E as sobrancelhas? Melhor nem comentar.

A indústria da estética fazendo muitos estragos não só físicos, como psicológicos. Possivelmente, são os consumidores destes tipos de procedimentos, os mais gerontofóbicos. Quando foi que o natural passou a ser abominado?

Eu, velha?! Nunca serei. Essa é uma questão mais de sentimento, que de estética. O preconceito que é caduco. Acredite: nunca é tarde. Nem para se desconstruir e começar tudo de novo.

Eu estou no Instagram, te espero lá: @leituradomundo.blog e também no Twitter: @leituradomundo

3 respostas para “Eu, velha?!”

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: